"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

junho 04, 2011

FRENÉTICA E EXTRAODINÁRIA! PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO : ESTAMOS NA LANTERNA EM CRESCIMENTO ENTRE OS BRICS. E O PALOCCI...



O Brasil ficou nos últimos lugares em termos de crescimento no primeiro trimestre de 2011, na comparação com os Brics - o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Com crescimento de 4,2% no primeiro trimestre, comparado com o mesmo período de 2010, o Brasil cresceu menos que a China, com 9,7%, a Índia (7,8%) e a África do Sul (4,8%). O crescimento brasileiro só foi maior do que o da Rússia, que teve expansão de 4,1%.


Na verdade, com uma diferença de apenas 0,1 ponto porcentual, que é quase insignificante em termos de contas nacionais, é possível dizer que Brasil e Rússia compartilharam o crescimento mais lento no primeiro trimestre, entre os Brics.

O IBGE também divulgou nesta sexta-feira uma comparação mais ampla, mas excluindo os Brics, com países ricos (quase todos) e alguns emergentes que já divulgaram o resultado do primeiro trimestre.

Nessa segunda comparação, o Brasil, com 1,3%, teve o terceiro maior crescimento (junto com o Chile), só perdendo para Alemanha, com 1,5%, e Coreia do Sul, com 1,4%.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

ORDE E POGREÇO! MEC JÁ FAS USU DA " MATEMÁTICA" PALOCCI.


MEC distribui livro com erro de matemática a 37 mil escolas - Do Bol Notícias -

O Ministério da Educação gastou R$ 14 milhões para distribuir material didático com erros de matemática a 37 mil escolas de educação no campo no ano passado
Nele se aprende, por exemplo, que 10-7=4 e que 16-8=6.


Há ainda exercícios que remetem à página errada e frases incompletas. Foi pedida à CGU (Controladoria-Geral da União) uma sindicância para apurar as eventuais responsabilidades pelos erros e pela falta de revisão.

A coleção na qual os erros foram detectados tem obras sobre matemática, língua portuguesa, ciências, geografia e história. O total de estudantes prejudicados, de acordo com o MEC, é de cerca de 300 mil, menos de 1%...(SIC)

Após a constatação dos erros, o ministério decidiu enviar aos coordenadores do programa de educação no campo uma orientação para que o uso do material seja suspenso.

junho 03, 2011

BRASIL SEM MISÉRIA E "A HORA DO PALOCCI" PARTE FINAL?


O governo começou a semana propalando que teria dias seguidos de "agenda positiva". Chega ao fim dela atolado vários palmos a mais na crise que se arrasta há 20 dias e com o ministro Antonio Palocci em vias de ser jogado fora do barco, abandonado até pelo PT. Nem todo o marketing do mundo foi capaz de superar a realidade.


Os últimos dias pouco acrescentaram ao que já se sabia sobre o enriquecimento faraônico de Palocci. Mas a continuidade da recusa do governo em esclarecer como seu principal ministro fez tamanha fortuna em tão curto espaço de tempo, ao mesmo tempo em que dava expediente no Congresso, foi suficiente para azedar de vez a situação dele.

Se tivesse provas de que não traficou influência, de que não feriu a ética e o decoro, de que não usou o privilegiado acesso ao poder para beneficiar clientes e a si próprio, Palocci já teria há muito dissipado a nuvem que paira sobre sua cabeça.

Um silêncio que dura 20 dias está longe de servir ao benefício da dúvida. Qualquer defesa já vem tarde.

Depois de semanas de cobranças, ontem, finalmente, Palocci decidiu que virá a público dar explicações. Pode ser que aconteça hoje, pode ser que ele ainda aguarde até segunda-feira. Mas um pronunciamento que demora tanto a acontecer já chega completamente esfacelado, com nenhuma credibilidade para ser ouvido.

As tais explicações podem não vir hoje, segundo o Valor Econômico, porque Palocci quer "primeiro tomar conhecimento do noticiário dos jornais e revistas no fim de semana" para "não ser surpreendido com o surgimento de novas denúncias".

Se está tão convicto assim, dá para imaginar o quanto ainda há para ser conhecido.

"Talvez suas palavras cheguem tarde demais. A não ser que o artista surpreenda a plateia. A ponto de explicar, inclusive, porque demorou tanto para apresentar provas tão cabais de que não é apenas um exímio consultor, mas um homem público de conduta irrepreensível", comenta Fernando de Barros e Silva na Folha de S.Paulo.

Também no Valor, o sociólogo Alberto Carlos Almeida calcula a desproporção do êxito financeiro da Projeto, a empresa de consultoria de Palocci, em 2010 para ressaltar o inverossimilhança de qualquer explicação que o ministro venha a dar. É coisa difícil de esclarecer - e de engolir.

Descontando-se os três dias da semana que Palocci teria trabalhado na Câmara, os recessos, os sábados e domingos, sem direito a férias e feriados, o então deputado teria dedicado 165 dias do seu último ano de mandato à sua "consultoria".

Se a Projeto faturou R$ 20 milhões, isso significa que Palocci ganhou, em média, R$ 121 mil para cada dia de trabalho.

Ele faturou tanto quanto, por exemplo, a top model Kate Moss e a tenista Serena Willians, que figuram na lista das "mais poderosas celebridades" da revista Fortune.

"Seria interessante que o Ministério Público, a Justiça, os economistas, universidades etc. procurassem estudar e investigar em que condições um deputado federal consegue ganhar R$ 121 mil por dia no exercício do mandato", sugere o sociólogo.

Não foi só no caso Palocci que o marketing petista esbarrou em seus limites. Também aconteceu com o programa "Brasil sem Miséria", lançado ontem por Dilma Rousseff.

Dos anunciados R$ 20 bilhões de investimentos nas ações, apenas 20% são de fato dinheiro novo; o resto já é gasto com o Bolsa Família. Não colou.

Para O Estado de S.Paulo, "o Brasil Sem Miséria é um pacote que junta intenções do governo, projetos que não saíram do papel no governo Lula e reafirmações de compromissos da presidente na área social".

Para a Folha, o programa "recicla ações". Se for tratado como peça publicitária, o projeto não terá como avançar.

O ato que está para se desenrolar nas próximas horas deve ser o réquiem para a carreira política de Antonio Palocci, o principal ministro do governo Dilma.

Mas o caso não se encerrará aí.

Ainda restará ao petista explicar seu enriquecimento e dissipar as fundadas suspeitas de irregularidades. A crise será afastada do Planalto, até que um próximo escândalo brote na Casa Civil, transformada em bunker de falcatruas na gestão do PT.

Fonte: ITV

FRENÉTICA E EXTRAORDINÁRIA : GOVERNO DESREGRADO E DEGENERADO : GASTOS DE R$15 bi COM TERCEIRIZADOS.

Relatório do TCU aponta aumento no contingente dos prestadores de serviço entre 2007 e 2010, o que contraria decreto do governo.
Em vez de reduzir o número de tercerizados no setor público, como manda o Decreto nº 2.271/1997, o governo elevou o contingente.

Segundo dados do site Contas Abertas, em 2007 os gastos com esses trabalhadores foram de R$ 9 bilhões. Em 2010, mesmo com a determinação de que o ano passado seria o prazo final para trocá-los por servidores concursados, as despesas cresceram para R$ 15,5 bilhões.

O desregramento chegou a tal ponto na Esplanada dos Ministérios que algumas pastas, a exemplo da de Esporte, gastam mais com esses prestadores de serviços do que com o pagamento do funcionalismo. Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgado nesta semana, constatou as irregularidades.

No último ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, quatro ministérios e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) efetuaram mais gastos com tercerizados do que com trabalhadores concursados.
Proporcionalmente, o Ministério do Esporte foi o campeão.

Com o quadro próprio, ele desembolsou R$ 23 milhões. Com os terceirizados, o gasto foi mais de quatro vezes maior, chegando a R$ 97 milhões em 2010.

No Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, as despesas com tercerização atingiram R$ 85 milhões — a folha dos servidores consumiu R$ 46 milhões.

No Turismo, os desembolsos com os prestadores de serviço foram 15,7% maiores do que os com o funcionalismo.

Na Pesca e Aquicultura, 51,8% superior;
e no CNJ, 52,6%.

O que se percebe, portanto, é que, a despeito do prazo inicialmente definido (…) para que os órgãos e entidades federais eliminassem de seus quadros empregados terceirizados de forma irregular, em março de 2011 ainda existem (…) quase 18 mil empregados nessa condição”, constatou o TCU.

A maioria dos funcionários irregulares encontram-se nos Ministérios da Educação (8.844 terceirizados),
da Saúde (4.083)
e do Meio Ambiente (1.474), segundo dados do relatório de contas do TCU.

Victor Martins/CORREIO

PETROBRAS : INSEGURANÇA PARA TRABALHADORES, SITUAÇÃO DEGRADANTE, ALOJAMENTOS SUPERLOTADOS E HIGIENE PRECÁRIA EM SERGIPE.


Numa inspeção feita nas 25 plataformas marítimas da Petrobras em Sergipe, procuradores do Trabalho e auditores fiscais do Trabalho encontraram trabalhadores em situação degradante.
Alojamentos superlotados e higiene precária são algumas das irregularidades flagradas.


No estado, ficam as unidades mais antigas da estatal, algumas que datam da década de 1970. Segundo o procurador Maurício Coentro, algumas plataformas começam a ser desocupadas, por não terem mais condições de manter trabalhadores alojados:


- O embarque ainda é feito por içamento com guindaste, o que é perigoso. Demos um prazo de dez dias (a partir de 27 de maio) para que a Petrobras apresente uma proposta.

Na inspeção, os procuradores encontraram 12 petroleiros "entulhados" num alojamento improvisado para quatro pessoas.
Como não há cozinha nas plataformas, a comida chega muitas vezes fria e até estragada, conta a assessora jurídica do Sindicato dos Petroleiros de Alagoas e Sergipe, ligado à Conlutas, Raquel Oliveira Souza:


- Ainda há discriminação dos terceirizados.
Enquanto os funcionários da Petrobras ficam embarcados sete dias, os terceirizados ficam 14 dias. Não há área de lazer, obrigatórias, e muitos ficam deprimidos, adoecem.


Trabalham 190 petroleiros nas plataformas e dois terços deles são terceirizados, segundo Raquel. Em 17 unidades, o embarque é por guindaste:

- O primeiro a embarcar é obrigado a pular com uma corda, como um cipó, para acionar o embarque nas cestas.

A Petrobras informou que, depois da inspeção, "iniciou o desembarque parcial de trabalhadores terceirizados das plataformas instaladas em águas rasas no litoral sergipano". O relatório dos fiscais aponta que "algumas das instalações são inadequadas para alojamento dos trabalhadores nas plataformas.
Também foi considerado impróprio o acesso dos trabalhadores às plataformas".

Segundo a Petrobras, já foram desembarcados cerca de 80 trabalhadores, o que provocou perda de produção de 160 barris de petróleo por dia.

Somente uma plataforma permanecerá habitada.

Cássia Almeida O Globo

BRASIL : DA MISÉRIA À GORJETA OSTENSIVA DO EX-PALHAÇO ABESTADO AGORA ABASTADO.


Promessa de campanha de Dilma Rousseff, o programa de erradicação da pobreza extrema foi lançado ontem para atingir 16,2 milhões de pessoas.

Gente como Francinete, Maria e Luzineide, que moram em uma invasão na UnB e vivem com menos de R$ 70 por mês.


Valor que não faz falta para o deputado Tiririca (PR-SP), dono de um salário de R$ 26 mil e que premia o barbeiro da Câmara com R$ 75.

A expansão dos programas sociais do governo alcançarão, ainda, os catadores de produtos recicláveis. Eles terão acesso à capacitação no processo e receberão inventivos para melhorar a estrutura nas redes de comercialização do material recolhido.

FRENÉTICA E EXTRAORDINÁRIA : PREVISÃO DO PIB ESTE ANO JÁ ESTÁ ABAIXO DE 4%.

Analistas esperam crescimento de 1% a 1,5% de janeiro a março e ritmo menor a partir do segundo trimestre

O primeiro trimestre do ano ainda foi de economia muito aquecida, de acordo com as previsões de analistas para o o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), que será divulgado hoje pelo IBGE.

A taxa esperada está entre 1% e 1,5% frente aos últimos três meses de 2010, num ritmo mais forte do que vinha sendo observado.
No último trimestre do ano passado, a expansão se limitara a 0,7%.

Na comparação entre o primeiro trimestre de 2010 e o de 2011, espera-se alta em torno de 4%. Nas previsões para o fechamento do ano, porém, a aposta na desaceleração fica bem clara, com os analistas prevendo, em alguns casos, taxas abaixo de 4%.

A LCA Consultores aposta em 3,4% de crescimento para 2011, menos da metade dos 7,5% de 2010, a maior expansão desde 1986, auge do Plano Cruzado.
O anúncio da produção industrial de abril, este semana, contribuiu para a revisão das expectativas.

A alta de juros, as medidas para conter o crédito que ainda estão em curso, como o aumento do pagamento mínimo do cartão de crédito de 10% para 15%, são as explicações dos analistas para prever avanço menor este ano:
- O custo do crédito está subindo, o governo está fazendo cortes, a renda vem sendo corroída pela inflação, a confiança do consumidor e do empresário já está caindo, a geração de emprego está perdendo força. De onde virá mais crescimento com esse cenário? - pergunta-se Francisco Pessoa Faria, economista da LCA Consultores.

A consultoria projetara 4% de expansão no início do ano, depois baixou para 3,6% e, há dois meses, refez as contas e reduziu o número para 3,4%.

Na opinião de Álvaro Bandeira, sócio diretor da Ativa Corretora, a desaceleração somente deve aparecer nos números do segundo semestre. Pelas previsões da corretora, o segundo trimestre ainda vem forte, com alta de 1,3% frente ao início do ano, mas cai para 0,6% no período de julho a setembro.

O resultado da produção industrial de abril, com queda de 2%, ajudou a reduzir as expectativas:
- Alta de juros e contenção de gastos do governo aparecerão com mais força. Vamos rever nosso número do ano de 4,2% para algo entre 3,8% e 4%.

Investimento e consumo lideram crescimento

O perfil da expansão da economia permanecerá o mesmo dos últimos trimestres. Investimento e consumo das famílias crescendo mais. Para a formação bruta de capital fixo (denominação dada nas contas nacionais ao investimento), espera-se alta superior a 10% frente ao primeiro trimestre de 2010.

O HSBC, por exemplo, projeta alta de 15%:
- A demanda está forte, o que se reflete no investimento e consumo das famílias, que deve crescer 6% frente ao primeiro trimestre de 2010 - afirmou Constantin Jancsó, economista-sênior do HSBC Bank Brasil.

Cássia Almeida O Globo

03/06/2011 09:30 Atualização: 03/06/2011 09:54

Rio de Janeiro -
O Brasil cresceu oficialmente 1,3% no primeiro trimestre do ano comparado ao último de 2010, uma expansão ligeiramente superior às apostas do mercado financeiro (1,2%). Frente a igual período do ano anterior, o avanço foi de 4,2%.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país) neste início de ano foi puxado principalmente por agropecuária, que registrou taxa de crescimento de 3,3% Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 939,6 bilhões.

Ainda na comparação trimestral, os investimentos se destacaram ao registrar um incremento de 1,2%. Os gastos do governo também continuaram a crescer e avançaram 0,8%. O consumo das famílias se expandiu 0,6%.

junho 02, 2011

NÓS DÁ UM JEITINHO


A maior tragédia do Brasil?
É o jeitinho.
Sem regras claras, fica-se numa zona pantanosa.
O sim não significa sim.
O não tampouco quer dizer não.
Tudo depende.
Depende do crachá, do QI (quem indica), da conta bancária, da rede de amigos.

Às vezes, do tempo.
Outras vezes, do humor.
Daí termos mais de 50 formas de responder à pergunta “como vai?”
É um tal de vou indo, navegando, levando, como Deus quer, como o vento sopra, empurrando com a barriga. Etc. Etc. Etc.
O jeitinho faz milagres.


Apaga fatos históricos.
Graças a ele, o impeachment do Collor virou detalhe, indigno de figurar na história do Senado. Depois da grita — dos caras-pintadas aos historiadores —, o mais importante acontecimento da democracia contemporânea desta alegre Pindorama reconquistou a relevância.
Ganhou espaço no túnel do tempo da Câmara Alta.


O jeitinho confunde ciências e muda conceitos.
Erro não é mais erro.
É preconceito linguístico.
Escrever “os livro” ou “nós pega o peixe” figura em livro didático com o mesmo status de “os livros” e “nós pegamos o peixe”.

Apesar dos esperneios de pais, estudantes, professores, empresários, políticos & gente como a gente, o ministro da Educação bate pé.
Jura que os indignados estão indignados porque não leram o livro.


Há os que leram e os que não leram a obra.
Uns e outros sabem que o buraco é mais embaixo.
O ser bonzinho esconde baita discriminação.
Acredita que o aluno da escola pública nunca vai chegar lá.

Se aprender ou deixar de aprender a gramática normativa, não faz diferença.
Ele não passará das tamancas.
Não é por acaso que impera nas instituições públicas o jogo do faz de conta.
O professor finge que ensina.
O aluno finge que aprende.
O Estado se finge de cego.


O teatro não se restringe ao português.
Abrange matemática,
história,
geografia, ciências.
Mas é mais notável na língua pátria.
Sem a habilidade da leitura, o estudante não entende enunciados.


Prejudica-se em todas as disciplinas.
Sem a habilidade da escrita, não pode exprimir-se.
Se sabe a resposta da questão, não consegue escrevê-la.
Assim, cada macaco mantém-se no seu galho.
Em resumo:
o ensinar que “nós pega” está correto foi a gota d’água.
Os que leram e os que não leram o livro sofrem na carne,
no coração
e no bolso o resultado do preconceito.

Dad Squarisi Correio Braziliense

PAÍS RICO É PAÍS SEM POBREZA :“Nossa ideia é acabar com essa discussão anual e oficializar uma situação mais justa." SÚCIA!

Os deputados federais querem acabar com o desgaste diante da opinião pública em torno dos reajustes dos próprios salários, sem no entanto deixarem de inchar as contas bancárias todos os anos.

Encontraram a saída em uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) aprovada ontem na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que formaliza a equiparação dos valores pagos a congressistas e integrantes do Executivo aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Dessa forma, os parlamentares não precisarão mais propor e discutir projetos separadamente. Vão apenas votar as propostas e os pedidos de reajustes encaminhados pelos integrantes da Corte e se beneficiar deles automaticamente.


Desde fevereiro, os R$ 26.723,13 pagos aos integrantes do STF passaram a ser o valor dos salários dos deputados, senadores, da presidente da República, do vice-presidente da República e dos ministros do Executivo.
Uma equiparação extraoficial, que vai passar a ser lei depois que o Congresso aprovar a matéria.

“Nossa ideia é acabar com essa discussão anual e oficializar uma situação mais justa.
Não há motivos para diferenciar os salários dos integrantes dos poderes da República. É uma garantia de tratamento igual a todos”, diz o autor da PEC, Nelson Marquezelli (PTB-SP).

Entre as vantagens citadas informalmente entre os deputados que votaram ontem a favor da tramitação da matéria — e insistiram na necessidade de dar celeridade ao projeto — está a garantia de um novo reajuste salarial iminente.

É que, desde agosto do ano passado, tramita na Casa um projeto apresentado pelo presidente do STF, Cezar Peluso, que propôe elevar o salário dos ministros dos atuais R$ 26.723 para R$ 30.675.

O texto prevê ainda uma política contínua de reajuste anual nos meses de janeiro, sem a necessidade de aprovação de propostas pelo Congresso.


Ao aprovar a proposta do STF, os deputados estariam formalizando também uma política salarial para eles mesmos.

Estamos defendendo a aprovação da PEC por uma questão de justiça e para legalizar a situação salarial dos poderes. Não estamos tratando de reajustes ou do projeto do STF. Qualquer discussão sobre esse assunto só deve entrar na pauta no fim do ano”, afirma Marquezelli.


Limites mantidos
O texto da PEC acaba com o efeito cascata imediato em estados e municípios, estabelecendo que depois dos reajustes federais, o efeito só poderá ocorrer por meio da edição de leis específicas. Mas os limites dos vencimentos continuam sendo os previstos na Constituição atualmente.

Dessa forma, com base no salário pleiteado pelos ministros do STF, de R$ 30.675, as assembleias legislativas dos estados poderão editar normas regionais estabelecendo os vencimentos dos seus integrantes em até R$ 23.006,25 nos estados, ou 75% dos valores federais.


Se a PEC que equipara todos os cargos de comando nos Três Poderes for aprovada em plenário e no Senado, o impacto financeiro da proposta do STF que tramita na Casa seria de mais de R$ 82,5 milhões por ano, considerando os percentuais máximos estabelecidos pela proposta para os vencimentos dos políticos nos estados e nos municípios.
Para o relator da PEC na CCJ, deputado Arthur Oliveira Maia (PMDB-BA), a proposta em discussão é boa e promove isonomia.
“A própria Constituição atribui prerrogativas comuns às autoridades elencadas na proposta, como a iniciativa de leis e o direito de serem processados e julgados originalmente pelo STF”, argumenta.

A matéria será analisada por uma comissão especial e encaminhada ao plenário da Câmara.
A depender dos discursos de ontem, uma tramitação que deve ser célere, ao contrário do que acontece com a maior parte dos projetos na Casa.

Izabelle Torres e Isabella Souto Correio Braziliense

JESUS ME CHICOTEIA E ME FAZ AJOELHAR NO MILHO: UM GOVERNO À ESPERA DA FRENÉTICA E EXTRAORDINÁRIA.

A pergunta padrão do momento nos gabinetes do poder reproduz a questão em alta no mercado financeiro e a dúvida em voga entre os empresários:
Antonio Palocci, ministro-chefe da Casa Civil da Presidência, fiador do governo Dilma para boa parte desse público neoperplexo, ponte confiável para a ampla aliança partidária no trânsito entre o Legislativo e o Executivo, fica ou sai do governo?

Desprezemos o testemunho dos que garantem que ele não sairá porque não há substitutos.


Bobagem, sempre os há.
E os nomes mais óbvios já estão há muito declamados por petistas:
Paulo Bernardo,
Fernando Pimentel,
Jaques Wagner,
Luciano Coutinho (com reforço na coordenação política),
Alexandre Padilha, empresário gaúcho amigo (com outra vocação ao posto), o ex-presidente Lula (numa troca possível mas pouco provável de papéis), enfim, um mundo de possibilidades.

Tantas, e nenhuma, por enquanto, pois a presidente ainda está naquela fase de esperar que uma solução caia dos céus.


A questão a que se deve dar sentido é se haverá alguma diferença em ter ou não Palocci no governo.

A resposta, por enquanto, é também não.

Enfraquecido e sofrendo a desconfiança generalizada de que há algo por trás dessa fumaça que lhe cobre o rosto e que ele teima em não dissipar, já está.
A descoberta sobre os valores que o ministro acha ou não importante preservar abalou também o conjunto do governo, levando à vertigem a própria presidente.

A intervenção de Lula em dois Poderes de uma só vez, o Executivo e o Legislativo, desequilibrou ainda mais a presidente e mostrou que, se já volta agora às rédeas do poder, mais ainda daqui a três anos e sete meses, o que cristaliza a tese de que o atual é mesmo um mandato tampão.


Independe da sorte de Palocci, porém, a constatação de que o governo Dilma foi mal construído e funciona precariamente, a mudança exige mais que a troca de uma peça.
Até mesmo em comparação com o governo Lula, e fiquemos apenas nesse, da mesma estirpe, do qual foi parte importante.


O ex-presidente Lula nomeou líderes fortes, cada um com sua vocação e instrumentos, para ajudá-lo na política.
Não significa que tenha feito um bom governo. Sem juízo de valor, armou-se das chances políticas.


José Dirceu, na Casa Civil, fazia a coordenação política maior, tendo como tinha o controle do PT e o acesso privilegiado ao PMDB, o maior partido do Congresso que levou para perto do governo.

Luiz Gushiken teve a missão de ser um ministro forte e poderoso para atuar na forte e poderosa área de Comunicação. Gilberto Carvalho foi a ponte com a Igreja, os movimentos sociais e sindicatos.


Na liderança da política econômica, Lula colocou Antonio Palocci, já apoiado pelo mercado e empresários aos primeiros acordes da campanha eleitoral, desde a Carta aos Brasileiros que amarrou o compromisso do petismo com a estabilização.

Márcio Thomaz Bastos, da Justiça, atuou mais na articulação política que qualquer coordenador formal, e deu sustentação jurídica a todo o governo.

Nelson Jobim levou para Lula as vantagens do seu acesso ao Supremo Tribunal Federal e garantiu-lhe uma tranquilidade ímpar no seu relacionamento com os militares.
Jobim implantou para valer o Ministério da Defesa.


A coordenação política formal foi exercida por sucessivos políticos de peso, de Aldo Rebelo, ex-presidente da Câmara, aos jeitosos mineiro Walfrido dos Mares Guia e o baiano Jaques Wagner.

No fim, quando o governo Lula já estava desfigurado e restavam em cena o presidente e sua voz, a tarefa da política foi entregue a Alexandre Padilha, um médico neófito no exercício do poder que fez um varejo bem sucedido na articulação com o Congresso.


No governo Dilma Rousseff não há esse tipo de peças no jogo.
José Eduardo Cardoso, ministro da Justiça, está realizando um trabalho interno de gestão, mais afeito à tarefa de secretário-executivo.
Alexandre Padilha ficou com a área da Saúde, missão acachapante que não permite desvio do foco.

A articulação formal com o Congresso foi entregue a um deputado do PT sem maior expressão ou acesso aos partidos, Luiz Sérgio.
Fernando Pimentel assumiu como ministro forte o Desenvolvimento. Amigo da presidente, acesso total à política, mas em litígio com seu partido, o PT, em Minas, optou pela discrição.


Em três áreas importantes a presidente teve que engolir ministros impostos, e em duas delas vem tendo que dirimir conflitos.
Lula pediu para deixar Guido Mantega no Ministério da Fazenda, posto para o qual Dilma já havia escolhido nome de sua confiança e predileção, e Fernando Haddad, para quem o ex-presidente quis manter a vitrine da Educação para garantir chance de disputa eleitoral em 2012.
Plano, aliás, que não decola, a gestão do Ministério da Educação é uma sucessão de problemas.


Lula pediu, também, a manutenção de Nelson Jobim no Ministério da Defesa. Foi o apelo que Dilma recebeu pior, ela o identifica com adversários políticos, mas é, hoje, a autoridade que melhor atua politicamente para seu governo.

A última proeza de Jobim foi negociar, discretamente e com sucesso, entre o Executivo e o Legislativo, um dos impasses mais intrincados na sua área, a Comissão da Verdade.
A presidente não teve oportunidade de tomar conhecimento da desenvoltura do seu ministro.

(...)
O governo, no entanto, não dá respostas e não tem como:
está despreparado estrutural e funcionalmente.
Defenestrar só o ministro atingido não é garantia de que o governo sairá da paralisia e voltará a funcionar.
É necessário muito mais.


Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras