"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

abril 03, 2011

O (P)ARTIDO (T)ORPE E SUA ÍNDOLE À POLÍTICA DA USURPAÇÃO.


Derrubado o presidente da Vale, o governo estuda o próximo passo para impor seus interesses e suas concepções econômicas à maior empresa privada do Brasil, segunda maior mineradora do mundo e líder mundial na extração de minério de ferro.

O Palácio do Planalto mandou o Ministério da Fazenda examinar uma forma de tributar a exportação do minério, para reduzir os embarques de matéria-prima e aumentar as vendas externas de aço, produto de maior valor agregado.


Para isso a empresa teria de ampliar seu investimento em siderurgia. A decisão só será tomada depois dos estudos, informou ao Estado uma fonte ligada ao poder central. Segundo a mesma fonte, a presidente se mostraria sensível ao que era uma das obsessões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Durante mais de metade de seu segundo mandato, o presidente Lula se esforçou para mandar na Vale e, diante da resistência do presidente da empresa, passou a manobrar para derrubá-lo. Esta parte da tarefa já foi cumprida pela presidente Dilma Rousseff.
O afastamento de Roger Agnelli foi anunciado oficialmente pela companhia na sexta-feira. Uma agência foi contratada para buscar e sugerir nomes para a substituição, mas alguns possíveis sucessores já têm sido mencionados por pessoas envolvidas no processo.


O novo presidente da Vale terá um mau começo, se aceitar previamente a interferência do governo. Se estiver disposto a receber ordens do Palácio do Planalto ou de qualquer Ministério, o governo nem precisará tributar o minério para forçar a empresa a investir mais em siderurgia.
Ao mostrar submissão, esse presidente iniciará sua nova carreira já enfraquecido e enviará uma péssima informação ao mercado e aos acionistas particulares.


As manobras do governo para comandar a Vale têm sido motivadas por uma combinação de ideias estapafúrdias e de impulsos perigosos. É estapafúrdia, em primeiro lugar, a ideia de forçar maiores investimentos em siderurgia, quando o setor está com uma enorme capacidade ociosa - no País e no exterior.

A presidente Dilma Rousseff saberia disso, se tivesse o trabalho de consultar os profissionais do setor. A Vale já investe na produção de aço, mas em ritmo compatível com uma estratégia racional.


Em segundo lugar, é um desatino a ideia de tributar a matéria-prima para forçar a exportação de produto de maior valor agregado. Essa tolice reaparece, de tempos em tempos, sob nova roupagem - estimulada, às vezes, por interesses privados. Há anos, empresas do setor calçadista convenceram o governo a tributar a exportação de um tipo de couro.

O governo cedeu à esperteza de alguns e cometeu a bobagem. Um dos efeitos foi o desvio das exportações de couro brasileiro pelo Uruguai. O resultado poderia ter sido pior - a perda de mercados para os concorrentes.


Tributar a exportação de minério concederá uma vantagem aos concorrentes estrangeiros da Vale. Ninguém forçará uma grande potência importadora, como a China, a pagar mais pelo minério ou a comprar mais aço do Brasil por causa dessa manobra ridícula.

Depois, a mera ideia de tributar matéria-prima para aumentar a exportação de bens de maior valor agregado é uma infantilidade. No máximo, a medida poderia ter algum efeito se o país tivesse o monopólio da matéria-prima. Não é o caso e, mesmo que fosse, o expediente seria discutível.

Se houvesse alguma inteligência nessa proposta, valeria a pena aplicá-la de forma radical. Por que não tributar também a exportação de aço, para favorecer a venda de automóveis, tratores e outros produtos fabricados com esse tipo de insumo?

Por que não taxar o milho, a soja e a ração, para ampliar as vendas de carnes? Ou, ainda, por que não dificultar os embarques de café em grão - o Brasil é o maior exportador do mundo -, para multiplicar as vendas do produto instantâneo e do torrado? O desatino seria o mesmo em todos esses casos.


Mas o governo pode ter outros motivos, também, para mandar numa empresa como a Vale.
Orientar seus investimentos para este ou aquele Estado ou município pode ser uma forma de distribuir enormes favores.
E, se a ordem é conceder benefícios à custa de uma grande companhia, por que privar os aliados de mais alguns bons empregos?


Estadão

abril 02, 2011

ABSURDO DOS ABSURDOS. CASTA DA VADIAGEM.

Sistema biométrico começou a funcionar ontem.
Mesmo assim, funcionários encontraram maneiras de registrar a frequência e escapar da labuta diária

O Senado gastou R$ 1,2 milhão para instalar o ponto biométrico, que teve sua inauguração oficial ontem. Mas nem mesmo com a exigência de passar o crachá magnético e colocar o polegar na leitora a Casa estará livre dos servidores fantasmas e gazeteiros.

Funcionários do Senado descobriram uma maneira de driblar o ponto biométrico e garantir pagamento do dia trabalhado, enquanto usam o tempo do expediente para atividades pessoais.

Distante dos salões do Congresso, a máquina de ponto que fica nos arredores do serviço médico da Casa é disputada pelos servidores que marcam presença, mas fogem do trabalho.
No primeiro dia de funcionamento do ponto biométrico obrigatório, o Correio acompanhou a rotina matinal de servidores que escolheram o aparelho afastado dos olhos dos chefes para falsificar a comprovação de frequência.


Das 7h às 9h, o movimento na leitora de ponto que fica perto de uma agência da Caixa Econômica Federal é movimentado. Servidores passam pela cancela que dá acesso ao local e deixam o carro ligado enquanto correm para registrar a presença. Depois, ganham asfalto rumo a pistas que dão acesso às Asas Sul e Norte, mas bem longe do Congresso.

Na ensolarada manhã de sexta-feira, depois de uma semana legislativa esvaziada pela morte do ex-presidente da República José Alencar, servidores não se intimidaram em fraudar o ponto. O movimento começou cedo, às 7h31 um homem de aproximadamente 40 anos, vestindo calça jeans e tênis, chega com o som alto, em um Polo preto. Ele encosta o carro na calçada próxima de onde fica o ponto e, em menos de dois minutos, registra presença e vai embora, em direção à Asa Norte.

Com o cachorro
Menos de quarenta minutos depois, a cena se repete. Dessa vez, uma mulher em uma picape Suzuki prata, acompanhada de um cachorro branco, desce do carro vestindo uma calça de ginástica, tênis e um casaco.
Ela estaciona do lado contrário à entrada onde fica o ponto biométrico, registra presença e sai em alta velocidade em direção aos anexos dos ministérios.

A prática não é novidade para os servidores.
Funcionários cumpridores dos deveres se dizem revoltados com a gazeta e contam que, não raro, colegas batem ponto de bermuda e vão para casa, em vez de trabalhar. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), encaminhou ofício na noite de ontem responsabilizando os diretores de seções pela fraude na frequência.

“Tendo recebido denúncias de que alguns funcionários estão burlando a frequência da Casa, registrando presença no ponto eletrônico e depois se ausentando de suas obrigações funcionais, determino oficiar aos diretores das diversas seções do Senado a apuração dos fatos, ressaltando a responsabilidade pessoal do funcionário e de seu superior. Caso haja comprovação(sic) das denúncias, proceda-se a abertura de sindicância.”

Josie Jeronimo e Leonardo Santos Correio Braziliense

DIPLOMADO EM IMPROBIDADE COM APENAS 2 MESES.

Com apenas dois meses de mandato como deputado, o palhaço Tiririca (PR-SP), eleito por São Paulo, já usou o dinheiro da Câmara num resort em Fortaleza (CE), capital de seu Estado natal, que fica a 3 mil quilômetros de sua base eleitoral.

Ele apresentou à Câmara em março o pedido de reembolso de notas fiscais de R$ 660 de hospedagem e R$ 311 de alimentação no Porto d’ Aldeia Resort, hotel que fica em meio a dunas, com piscina e vista para o mar na capital cearense.


O ato n.º 43 de 2009 da Câmara dos Deputados é claro sobre a utilização da cota parlamentar que cada deputado tem direito para efetuar despesas relacionadas com o desempenho do mandato. Por ser representante do eleitorado paulista, Tiririca recebe cerca de R$ 27 mil mensais de benefício, além do próprio salário.

Segundo a norma interna, essa verba extra deve ser "destinada a custear gastos exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar".

O gerente do resort, Décio Girão, confirmou ao Estado a presença de Tiririca como hóspede há cerca de duas semanas. A diária do hotel custa, no mínimo, R$ 165 - a despesa com hospedagem ficou em R$ 660.

Noticiário da imprensa local informou que, entre 19 e 21 de março, Tiririca esteve em Fortaleza para visitar parentes.

Estado de São Paulo

abril 01, 2011

ESTADO EMPRESÁRIO, ESTADO PERDULÁRIO.

Nunca antes na história se viu tamanha ingerência do governo em empreendimentos privados no país. O alvo mais óbvio continua a ser a Vale, mas agora a interferência se estende até a empresas d'além-mar, como a EDP portuguesa.

Sob o PT, o Estado transformou-se num enorme balcão de negócios, ora intrometendo-se diretamente no dia-a-dia de decisões que deveriam ser puramente empresariais, ora atuando como pronto-socorro de companhias remediadas. A conta fica para o contribuinte pagar.

A sobrecarga governista sobre a Vale continua, como revela em manchete a edição de hoje de O Estado de S.Paulo.
"O Palácio do Planalto determinou ao Ministério da Fazenda estudar uma forma de taxar fortemente a exportação de minério de ferro e desonerar o aço. A ideia é reduzir a venda da commodity e aumentar a comercialização de produtos siderúrgicos brasileiros no exterior".

A manobra governista é grotesca:
visa forçar a Vale a desviar o minério de ferro que extrai no Pará e exporta para todo o mundo para a produção de aço em uma siderúrgica a ser construída naquele estado. Trata-se de queda de braço que vem desde os tempos de Lula e que Dilma Rousseff manteve - e foi uma das razões da substituição, ontem oficializada, de Roger Agnelli na presidência da companhia.

Pelo jeito, os petistas do governo se acham melhores empresários do que os próprios gestores de negócios privados do país...
Seria melhor que, antes de levar qualquer bobagem adiante, ouvissem o que têm a dizer executivos dos dois setores afetados pela medida em gestação no Planalto.
A desaprovação deles à pretensa sapiência petista é unânime.

"Os produtores de aço estão investindo em mineração e o governo quer forçar as mineradoras a investir em siderurgia. Não tem o menor sentido", disse um empresário do setor de mineração ao Estadão.

Nem mesmo representantes da siderurgia aprovaram:
"Quando a gente fala em desonerar, tem de ser para a cadeia como um todo", defendeu Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil.

O problema é que produzir aço hoje é mau negócio, ao qual nenhuma empresa se lançaria a bel prazer.
Há excedente na produção mundial - de 550 milhões de toneladas - a ponto de, no ano passado, as próprias siderúrgicas existentes no país terem desativado nove altos-fornos para evitar a superabundância.
Será que o governo entende melhor do negócio do que elas?

Uma boa resposta aos desacertos e aos danos que a ingerência estatal está gerando sobre os negócios privados vem do comportamento dos fundos de ações da Vale no mercado. Também em manchete hoje, O Globo mostra que a "interferência política" tornou o FGTS-Vale a pior aplicação do mercado em março.
Os fundos - nos quais, em 2002, 254 mil trabalhadores investiram parte de seu FGTS em papéis da mineradora - perderam 6,8% no mês até o último dia 28.
No ano, o recuo é de 4,89%.

Não contente em ser apenas péssimo empresário, o Estado petista se mete a ser pronto-socorro de empresas em maus lençóis.
Ontem, a Eletrobrás divulgou que analisa a compra de parte da EDP portuguesa. Seria uma forma de "internacionalizar" a empresa, dizem, embora a estatal brasileira esteja longe de conseguir sanear suas próprias subsidiárias mergulhadas em déficits pelo país afora.

À lista se juntam a possibilidade de os Correios aportarem dinheiro no desgovernado projeto do trem-bala - mais uma vez adiado por causa do risco de ir a leilão sem conseguir atrair o interesse firme de nenhum investidor privado - e o providencial socorro que a Petrobras deve dar ao grupo Bertin, às voltas com dívidas e compromissos não honrados no setor elétrico, como mostrou o Valor Econômico em sua edição de ontem.

A história de um estado empresário, de gigantescas proporções e tentaculares alcances, já foi vivenciada pelos brasileiros no passado. Desembocou num processo de descontrole fiscal, descalabro inflacionário e retrocesso generalizado na economia. São riscos que novamente voltam a nos assombrar.
A sociedade sabe que esta é uma carteira de investimentos micada e não pretende ver seu dinheiro apostado nela.


Fonte: ITV

1º DE ABRIL - FANTÁSTICA/FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA.


AVALIAÇÃO DO GOVERNO/ MARÇO DE 2011/
PESQUISA CNI/IBOPE(click)


Ótimo Bom - 56
Regular - 27
Ruim/Péssimo - 5
NS/NR - 11

SOBRE 64 : PROIBIDA EXALTAÇÃO À " contrarrevolução que salvou o Brasil"

O Comando do Exército abortou na última hora uma palestra com potencial explosivo do diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), general Augusto Heleno, cujo tema seria
"A contrarrevolução que salvou o Brasil", em referência ao 31 de março de 1964, data que marca o início da ditadura militar.

A apresentação do general estava confirmada até as 17 h de quarta-feira, quando chegou a ordem do comandante do Exército, Enzo Peri, determinando o cancelamento do evento. A apresentação ocorreria no mesmo dia em que Heleno, liderança expressiva na caserna, foi para a reserva.

Primeiro comandante brasileiro no Haiti, o general Heleno preferiu silenciar sobre o conteúdo da palestra e também sobre os motivos pelos quais o evento foi cancelado. Disse apenas que cumpriu ordem superior:
- Recebi ordem. Sou militar, recebo ordem. Hierarquia e disciplina. Recebi a ordem ontem, no final da tarde. Tem uma frase famosa: nada a declarar - afirmou Heleno.

O general Heleno se limitou a dizer que a abordagem seria exclusivamente "31 de março de 1964", mas não quis entrar em detalhes sobre o contexto histórico que seria levado aos colegas de farda. Nas redes sociais, militares se preparavam para o "desabafo de Heleno". Um oficial ouvido pelo GLOBO disse que o depoimento era aguardado com "grande expectativa".

Jobim já havia determinado que não houvesse atos
Nesta semana, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, determinou aos comandantes das três Forças que não houvesse qualquer ato que exaltasse a data que deu início ao regime militar. Entretanto, como Heleno é general de quatro estrelas com grande destaque na tropa, coube ao comandante Enzo Peri a tarefa de impedir sua manifestação, às vésperas de sua aposentadoria.

Quanto às comemorações nos clubes militares, o ministério avalia que não tem como evitar ou tentar coibir manifestações de oficiais da reserva que estavam na ativa naquele período.


O silêncio do quartel no dia da "contrarrevolução" - referência dos militares ao combate à "revolução comunista" que estaria em curso nos anos 1960 - foi imposto para evitar o acirramento dos ânimos, em pleno debate público sobre a criação da Comissão da Verdade, projeto que está tramitando no Congresso.

Como O GLOBO revelou, o Comando do Exército chegou a elaborar um documento em que condenava a criação da comissão, idealizada para encontrar informações sobre os desaparecidos políticos durante o regime militar.

O mês da "contrarrevolução" foi excluído do site do Exército. As "comemorações" se limitaram a um ato no último dia 25 de março, no Clube Militar do Rio de Janeiro.

Segundo o próprio general Heleno, a programação da palestra não tem "absolutamente" nenhuma relação com sua exoneração, publicada no Diário Oficial da União em 29 de março. Heleno explicou que sai da ativa compulsoriamente, após 12 anos na mais alta patente do Exército.

Mesmo na reserva, ele continuará à frente da Diretoria de Ciência e Tecnologia até 14 de maio, quando será substituído pelo general Sinclair James Mayer, atual diretor de Material do Exército.


Heleno criticou política indigenista de Lula

Em 2008, o general Augusto Heleno causou polêmica, depois de ter criticado a política indigenista do governo Lula, classificada por ele de lamentável e caótica, e afirmou que estava preocupado com a soberania brasileira diante da presença de organizações internacionais na área.

Roberto Maltchik O Globo

CAMUFLADOS, SOLIDARIEDADE :
AVE AOS MILITARES!
AVE A REDENÇÃO que um dia a de retornar!
AVE AOS POUCOS QUE AINDA ACREDITAM E LUTAM!
GLÓRIA AO BRASIL SOBERANO E VALENTE QUE UM DIA RETORNARA A SEUS FILHOS!
NÓS ESTAMOS POR TI BRASIL, E HONRAMOS NOSSOS HERÓIS DO PASSADO!


Roberto Maltchik O Globo

PARA OS ABESTADOS :CUMPRINDO PROMESSA DE CAMPANHA, "0 QUE FAZ UM DEPUTADO?".

Cique na imagem

Deputado mais votado do Brasil, com 1,3 milhão de votos, o palhaço Tiririca (PR-SP) usa dinheiro da Câmara para empregar humoristas do programa A Praça é Nossa.
Em 23 de fevereiro, foram nomeados como secretários parlamentares os humoristas José Américo Niccolini e Ivan de Oliveira, que criaram os slogans da campanha eleitoral do deputado.


Ambos recebem o maior salário do gabinete, de até R$ 8 mil, somadas as gratificações. Niccolini é presença semanal na TV com o personagem Dapena, uma sátira do apresentador da TV Bandeirantes José Luiz Datena.
No ano passado, durante as eleições, o humorista foi protagonista de um quadro cômico que interpretava os então candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).


Os humoristas nomeados por Tiririca moram em São Paulo e não cumprem expediente diário como servidores da Câmara - até porque Tiririca não tem escritório político na capital paulista. Niccolini e Oliveira ajudaram a fazer dois dos slogans principais da campanha:
“Vote no Tiririca, pior do que está não fica” e “O que é que faz um deputado federal? Na realidade, não sei. Mas vote em mim que eu te conto”.

Procurado pelo Estado, Niccolini justificou a sua contratação na Câmara com a seguinte frase:
“A gente é bom para dar ideias”.

“Ele (Tiririca) escolheu a gente porque ajudamos na campanha, só por isso. Porque acredita que podemos dar boas ideias.” Os dois secretários parlamentares de Tiririca fazem parte do grupo de humor Café com Bobagem, que, entre outras coisas, tem parceria com o A Praça é Nossa, programa da emissora SBT, onde conheceram o palhaço há dez anos.

Por sinal, é no escritório do Café com Bobagem, em São Paulo, e não num lugar ligado ao mandato de Tiririca na Câmara, que os humoristas contratados trabalham diariamente.

Questionado pela reportagem sobre o valor pago na campanha eleitoral por terem criado os slogans, Niccolini foi irônico:
“Uns 100 milhões de dólares para cada um; pouquinho”.

Segundo a prestação de contas de Tiririca à Justiça Eleitoral, a empresa do grupo, T.R.E. Entretenimento Ltda., recebeu R$ 10 mil pelo serviço.
Procurado pelo Estado, Tiririca informou, por intermédio da assessoria de imprensa, que contratou os dois humoristas para ajudá-lo no mandato parlamentar.


“O deputado Tiririca nomeou os assessores levando em conta o critério de conhecê-los pessoalmente e também o fato de serem dois comunicadores que vão colaborar e desenvolver trabalhos dentro da temática que o deputado atua.”

Íntegra...

Leandro Colon/Estadão

março 31, 2011

BC: GASTOS COM JUROS EM FEVEREIRO SOMA R$ 19,115 bi

O setor público (governo central, Estados, municípios e empresas estatais) registrou em fevereiro gastos com juros de R$ 19,115 bilhões, de acordo com dados divulgados hoje pelo Banco Central (BC).

O volume foi 34% maior que o verificado em igual período do ano passado. O governo central (Tesouro; Banco Central e Previdência Social) gastou R$ 12,400 bilhões com juros em fevereiro, enquanto os governos regionais gastaram R$ 6,562 bilhões e as empresas estatais, R$ 153 milhões.

No primeiro bimestre, a despesa do setor público com juros foi de R$ 38,396 bilhões, o correspondente a 6,31% do Produto Interno Bruto (PIB). Em igual período do ano passado, o gasto foi de R$ 28,392 bilhões (5,20% do PIB).

O governo central registrou em janeiro e fevereiro uma despesa com encargos da dívida de R$ 27,231 bilhões (4,48% do PIB), enquanto os governos regionais tiveram R$ 10,585 bilhões (1,74% do PIB) e as estatais, R$ 580 milhões (0,10% do PIB).
Nos 12 meses encerrados em fevereiro, a despesa com juros foi de R$ 205,373 bilhões, ou 5,50% do PIB.
Até janeiro, o gasto em 12 meses estava em R$ 200,521 bilhões, o equivalente a 5,41% do PIB.


O gasto do governo central com juros em 12 meses terminados em fevereiro somou R$ 131,832 bilhões (3,53% do PIB), o dos governos regionais, R$ 71,029 bilhões (1,90% do PIB) e o das estatais, R$ 2,512 bilhões (0,07% do PIB).

Fabio Graner e Adriana Fernandes/Agência Estado

PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO : HERANÇA MALDITA - MENOS CRESCIMENTO E MAIS INFLAÇÃO.

O governo Dilma Rousseff desistiu de ter uma inflação comportada no país neste ano. A meta para o custo de vida definida para 2011 foi oficialmente sepultada ontem pelo Banco Central, sem nenhuma honraria.

Também estão moribundos o crescimento do PIB e, pior de tudo, a estabilidade da moeda. É um estrago e tanto para quem apenas acaba de completar três meses de gestão.


No Relatório de Inflação publicado ontem, o BC indicou que a inflação deste ano deverá ficar em 5,6%, bem distante, portanto, da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional. Em contrapartida, as projeções oficiais para a expansão da economia recuaram de 4,5% para 4%.
Em suma, o que Dilma nos oferece até agora é isso:
mais inflação com menos crescimento. Uma mistura indigesta.


A inflação no Brasil já vai muito alta:
no acumulado em 12 meses, bate 6%.

Numa lista com 14 países, "o Brasil aparece com a segunda maior taxa de inflação acumulada até fevereiro, atrás apenas da Índia", informa a
Folha de S.Paulo.

Além disso, as autoridades monetárias brasileiras têm sido mais tolerantes quanto ao comportamento dos preços:
a meta de inflação adotada no país é uma das mais altas entre as nações que seguem igual regime no mundo.


O risco agora é passarmos a conviver naturalmente com uma inflação tão elevada - e que em alguns setores já chega a dois dígitos, como é o caso de serviços, aluguéis, energia e comunicações.

Com a atitude agora oficializada, o BC de Dilma chancela altas generalizadas de preço num patamar acima dos 5,8% agora aceitos como naturais para a inflação brasileira deste ano.
Ou seja, o que era meta vai acabar virando piso.
"O BC pode criar um problema de enrijecimento da própria inflação. O quadro é potencialmente perigoso", avalia O Globo hoje em editorial.


Os efeitos deletérios vêm em cadeia, uma vez que remanesce na economia brasileira um pernicioso mecanismo de indexação, herança dos tempos pré-Plano Real.
O próprio BC admite tais riscos numa das 144 páginas do "Relatório":
"Existem mecanismos regulares e quase automáticos de reajustes, de jure e/ou de facto, que contribuem para prolongar, no tempo, pressões inflacionárias observadas no passado. (...) Os riscos associados aos mecanismos de indexação tornam-se particularmente importantes em 2011".


Gostemos ou não, o primeiro ambiente onde decisões de política monetária reverberam é o mercado financeiro. E ele está torcendo o nariz tanto para o que o BC quanto para o que a presidente da República têm dito em relação à inflação.

Ontem, uma vez conhecido o teor do "Relatório", os contratos de juros mais longos negociados na BM&FBovespa tiveram alta, "sinalizando que os agentes esperam uma piora do cenário futuro, seja com uma aceleração da inflação, seja pela necessidade de novas elevações da taxa básica", informou o Valor Econômico.

Em outra reportagem, o jornal conclui que as expectativas quanto ao comportamento da inflação e dos juros vêm se deteriorando desde setembro de 2010, pondo "em xeque" a capacidade de o BC colocar a inflação no eixo:
"Apesar do discurso, aperto monetário de um ponto percentual e inúmeras medidas, os juros futuros de longo prazo insistem em subir, as expectativas de inflação tanto na pesquisa Focus quanto a implícita nos preços dos títulos públicos seguem em alta e o dólar só cai".


A data que o Valor identifica como o ponto inicial em que as expectativas começaram a azedar coincide com o ápice do período eleitoral do ano passado. Foi justamente quando ficou evidenciado que o governo do PT manobrava pesadamente os gastos públicos para Lula eleger sua sucessora. Desde então, os sinais de recrudescimento da inflação se tornaram cada vez mais perceptíveis, mas o governo pouco agiu.

É unânime a avaliação de analistas econômicos de que o BC - ou seja, o governo de Dilma Rousseff - está assumindo "riscos demais" na lida com a inflação. A autoridade monetária decidiu apostar em medidas de política monetária que ninguém sabe ao certo no que vão dar, e justamente numa hora em que o custo de vida descontrola-se.

O momento não parece ser o mais adequado para experimentos de laboratório.
A tolerância pode acabar se mostrando excessiva.


Fonte: ITV

BANCO CENTRAL TEM DÉFICIT NOMINAL DE R$ 11,202 bi EM FEVEREIRO.

O setor público registrou em fevereiro um déficit nominal de R$ 11,202 bilhões, de acordo com dados divulgados hoje pelo Banco Central (BC).
Em igual mês do ano passado, o saldo negativo, após o pagamento de juros, havia sido de R$ 11,089 bilhões.

No resultado de fevereiro, o governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) teve déficit de R$ 9,870 bilhões, os governos regionais apresentaram déficit de R$ 1,855 bilhão e o conjunto das empresas estatais teve superávit nominal de R$ 523 milhões.

O destaque ficou com as empresas estaduais, que contribuíram com superávit nominal de R$ 318 milhões, enquanto as companhias federais tiveram saldo positivo de R$ 211 milhões.

O resultado nominal é obtido após o pagamento dos juros da dívida pública. O déficit nominal indica que a economia do governo não foi suficiente para cobrir todas as obrigações com juros.

No primeiro bimestre, o setor público acumulou um déficit nominal de R$ 12,735 bilhões, o correspondente a 2,09% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período de 2010, o saldo negativo havia sido de R$ 9,134 bilhões (1,67% do PIB).

No primeiro bimestre de 2011, o governo central apresentou saldo negativo de R$ 10,894 bilhões (1,79% do PIB), enquanto os governos regionais tiveram déficit de R$ 1,374 bilhão (0,23% do PIB) e as empresas estatais, déficit de R$ 466 milhões (0,08% do PIB).

No acumulado de 12 meses encerrados em fevereiro, o déficit nominal do setor público é de R$ 97,274 bilhões (2,60% do PIB).
Nos 12 meses encerrados em janeiro, o déficit era de R$ 97,161 bilhões (2,62% do PIB).

O governo central registra, em 12 meses até fevereiro, déficit nominal de R$ 49,608 bilhões (1,33% do PIB).
Os governos regionais acumulam saldo negativo de R$ 47,020 bilhões (1,26% do PIB) e as empresas estatais, déficit de R$ 646 milhões (0,02% do PIB).

FÁBIO GRANER E ADRIANA FERNANDES - Agencia Estado