"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

outubro 13, 2010

A METAMORFOSE CIRCUNSTANCIAL DA "COISA" E A VOLTA SEM RETOQUE À ORIGEM .

A pesquisa de intenção de voto do Datafolha indicou que José Serra conseguiu reduzir para 8 pontos a vantagem de 15 com que Dilma Rousseff vencera o primeiro turno.

Foi o suficiente para disseminar o pânico nas hostes petistas.

O que é compreensível, considerando que desde o mais anônimo militante até o chefão Lula, todos os apoiadores da candidata oficial davam a fatura eleitoral como liquidada e alardeavam que 3 de outubro representaria apenas a formalidade de homologação de uma retumbante vitória.

Os efeitos dessa reversão de expectativa se tornaram evidentes já no primeiro debate do segundo turno, promovido pela Rede Bandeirantes.

Logo em sua primeira intervenção Dilma partiu para o ataque aberto, violento, acusando Serra, sua esposa e os tucanos de modo geral de serem os responsáveis pela campanha caluniosa movida contra ela na internet.

Colocou-se assim a escolhida de Lula na posição em que ele próprio, o chefe, sempre soube se instalar com muita competência, nos momentos de aperto: a da pobre vítima que jamais ataca, como é próprio dos malvados - nada disso, apenas exerce o direito de legítima defesa.

Com a vantagem adicional de demonstrar que é uma mulher capaz de assumir atitudes firmes, corajosas.

Quanto a essa questão da "firmeza", que quando fora de controle, como a própria Dilma demonstrou na ocasião, descamba para a rispidez, o debate não revelou nada de novo.

Dilma Rousseff sempre foi conhecida como pessoa rude e de difícil trato, especialmente com subordinados.

Se a resposta não fosse evidente, seria até o caso de perguntar:
se é para voltar a ser como sempre foi, por que então mudou durante o primeiro turno, fazendo o gênero "paz e amor"?

Já no que se refere às baixarias que rolam na internet, a ex-favorita absoluta à sucessão presidencial tem todo o direito de reclamar, mas é preciso colocar essa questão nos devidos termos.

Em primeiro lugar, o óbvio:
ataques caluniosos são desferidos de todos os lados e contra todos os candidatos e obedecem à tendência natural de se tornarem mais pesados com a polarização da campanha eleitoral.

Embora em alguma medida essas baixarias possam ser manipuladas, quando não inspiradas, pelo comando das campanhas - nesse assunto certamente não se pode colocar a mão no fogo por ninguém -, é claro que a maior parte desse comportamento condenável corre por conta de uma militância incontrolável composta por indivíduos ou grupos que usam a enorme sensação de poder que lhes confere a web para fazer a catarse de suas frustrações.

É o tributo que se paga às inconsistências da democracia que ainda persistem no País.

Além disso, Dilma conhece o PT há tempo suficiente para saber que o ataque como melhor defesa, e sem nenhum escrúpulo, sempre foi a tática preferencial, uma autêntica marca registrada de seu atual partido - em períodos eleitorais ou fora deles.

Ademais, ainda, é risível a tentativa da candidata petista de incluir no balaio das calúnias de que se diz vítima fatos de domínio público sobre os quais não paira a menor dúvida, como o amplo noticiário sobre o tráfico de influência que a família de sua protegida Erenice Guerra promoveu a partir do Palácio do Planalto, ou sobre seu constrangido vaivém na questão do aborto.

O desempenho de Dilma Rousseff no primeiro debate do segundo turno e nos dias subsequentes deixa clara a guinada tática na campanha petista:
Dilminha-paz-e-amor virou a vítima indignada de boatos, calúnias e difamação. Indignada, mas não "agressiva".

Apenas "firme".
Na segunda-feira, na cidade-satélite de Ceilândia, Lula e sua candidata inauguraram o primeiro palanque do segundo turno e a "nova" Dilma mostrou ter assimilado as novas instruções:
"Meu adversário faz uma campanha baseada no ódio, na boataria, na calúnia, na mentira e na falsidade. Ele não acusa de frente, olho no olho, não faz a disputa justa, leal e verdadeira."

Já o chefão não perdeu a oportunidade para mais uma demonstração de suas inexcedíveis soberba e megalomania:
"Eu poderia ter escolhido um deputado, um senador, um governador. Por que a Dilma? (...) A Dilma vai começar a redenção das mulheres no Brasil e no mundo (sic)."

Agora é a vez de o eleitor escolher.

O Estado de S.Paulo

outubro 12, 2010

SER OU NÃO SER, TUDO OU NADA, VAI OU RACHA , ENTRAR DE "SOLA", HUUUMMM... URNA?

Na definição de um petista "coordenador", Dilma Rousseff não tinha outro jeito: ou partia para o ataque mostrando capacidade de reação ou ficaria a campanha toda na defensiva, arriscando-se a desmobilizar a tropa de aliados políticos, a desmotivar a militância partidária, a inverter a impressão do favoritismo e a perder eleitores entre aqueles que não querem "perder" o voto.

Nesse aspecto, fez o que tinha de ser feito no debate da Band e fez algo ainda mais proveitoso: produziu boas cenas para o horário eleitoral.

Editadas conforme a conveniência do freguês - sem o contraditório do adversário -, "disseram" ao eleitorado que a candidata está indignada com as calúnias que se inventam a seu respeito.

De quebra, mistura todos os dizeres no mesmo caldeirão de forma a transformar também as denúncias de violação de sigilo fiscal e corrupção na Casa Civil em "infâmias".

Se o PSDB não souber separar as coisas, verá daqui a pouco Lula e Dilma posando de fracos e oprimidos e José Serra carimbado como o algoz retrógrado, forte e opressor.

Portanto, estritamente sob o ponto de vista da campanha eleitoral, é como disse o petista citado acima: não tinha jeito, era tudo ou nada.

O efeito será medido de agora e diante na percepção do eleitorado, com bastante ajuda do horário eleitoral para a maioria que não viu o debate de domingo à noite.

O PT, que achava a campanha ótima no primeiro turno, mudou tudo.

Os tucanos, que ao passarem para a segunda etapa anunciaram mudanças, no que diz respeito ao debate, ficaram na mesma: olímpicos, ignoraram o desempenho do candidato, que teve seus bons momentos de revide: nas respostas sobre privatização - ao falar da alforria telefônica no Brasil e ao aludir à "privatização" do patrimônio público via aparelhamento, vide a família de Erenice - e na comparação de apoios: Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco x Fernando Collor e José Sarney.

Dilma aparentemente saiu das cordas em que caiu desde o abatimento decorrente do resultado do primeiro turno. Só que foi obrigada a se despir do modelo amável, sorridente e terno que vestiu na campanha e ficou mais próxima do natural.

O resultado precisa ser analisado sob dois pontos de vista diferentes.

Visto do estúdio o desempenho pecava só na confusão do conteúdo: pouco familiarizada com a objetividade, Dilma não conclui raciocínios e nem sempre informa a quem ouve sobre o que está falando.

Visto depois pela tela da televisão, pecava principalmente pela deselegância dos gestos e pela figura hostil.

Ficou exposta a construção da Dilma amável, que de agora em diante não tem mais como não conviver com a Dilma verdade, reforçando o discurso das "duas caras" feito pelo adversário.

O carimbo das "mil caras" que tentou imputar a Serra ficou frágil por falta de exemplos concretos e inteligíveis para sustentar o tipo.

Se as pesquisas qualitativas do PT indicarem que o eleitorado gostou do modelo, Dilma tenderá a mantê-lo no dia a dia e nos próximos debates.

Arrisca-se, porém, a se tornar agressiva em excesso (note-se o que aconteceu com Lula) e a liberar o adversário para revides mais duros, o que é sempre perigoso face ao passivo acumulado pelo governo Lula.

Baliza.

A dosagem da participação do presidente Lula na campanha de Dilma ainda não é questão fechada no PT: há os que acham que deve ser comedida e os que alegam que se Lula não entrar "de sola" a candidata não segura a possibilidade da vitória.

A decisão será tomada de acordo com a indicação dos primeiros 15 dias de campanha. A ideia de deixar Dilma mais "solta", sem muitos artifícios, tampouco é consensual.

Melhorou.

O formato do debate da Band agora funcionou muito melhor que qualquer outro do primeiro turno. Os próximos terão de seguir o modelo, mas se os candidatos voltarem à defensiva fica aborrecido de novo.

Manobra Radical :
DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo

"DIZ-ME COM QUEM ANDAS E DIRTI-EI QUEM TU ÉS"

No debate transmitido pela Band, José Serra brandiu por poucos segundos a arma que, acionada com firmeza e pontaria, liquidará de vez a aventura de Dilma Rousseff: o confronto entre os ex-presidentes que apoiam cada candidato.

O palanque da sucessora que Lula inventou é assombrado por José Sarney e Fernando Collor.

A campanha da oposição tem Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Sarney conduziu o país à falência com o Plano Cruzado, levou a inflação às nuvens e saiu do Planalto pela porta dos fundos. Fora o resto.

Collor conseguiu catapultar os índices inflacionários para o espaço sideral, apadrinhou uma quadrilha federal só igualada em gula e desfaçatez pelo bando do mensalão e foi despejado do Planalto por ter desonrado o cargo. Fora o resto.

Itamar Franco resgatou a nação da UTI e lançou o Plano Real.

Fernando Henrique sepultou a inflação para sempre, modernizou o país com a privatização de mamutes estatais, enquadrou os perdulários malandros com a Lei de Responsabilidade Fiscal e consolidou as diretrizes da política econômica que Lula, por instinto de sobrevivência, cuidou de manter intocadas.

Com tamanho zelo que nomeou para o comando do Banco Central, em 2003, o deputado federal Henrique Meirelles, eleito pelo PSDB de Goiás.

O Brasil, ensinou Ivan Lessa, esquece a cada 15 anos o que aconteceu nos 15 anos anteriores.

E milhões de jovens nem conheceram o país atormentado pela inflação medonha e agredido pelo primitivismo das estatais devastadas pela inépcia e pela corrução.

Alguns programas eleitorais e debates na TV bastarão para recordar aos amnésicos crônicos como foram os governos de Sarney e Collor — e descrever didaticamente para as novas gerações o inferno de que se livraram graças aos governos de Itamar e FHC.

Collor e Sarney simbolizam o antigo, o coronelismo de terno e gravata, a roubalheira federal anabolizada pelo turbilhão inflacionário. Itamar e Fernando Henrique representam o país que pensa e presta.

Dilma quer falar do passado?

Seja feita a sua vontade.

Os eleitores aprenderão que Lula, depois de malbaratar as safras plantadas pelos dois antecessores que apoiam Serra, pretende alojar no Planalto uma fraude que reverencia a dupla que arruinou o Brasil.

outubro 11, 2010

CAI A MÁSCARA E FICA À MOSTRA O QUE NÃO É BONITO DE SE VER.

O país assistiu na noite deste domingo ao primeiro debate real entre os dois postulantes à Presidência da República.

Ficaram claras de uma vez por todas, as diferenças entre José Serra e Dilma Rousseff.

Separa-os um abismo, que a estratégia petista tentou sistematicamente escamotear no decorrer do primeiro turno.

Felizes os brasileiros por termos a chance agora de cotejar nossas opções.

Franco, o debate realizado pela Band permitiu ao telespectador comparar duas posturas distintas. O que se viu foi uma brutal diferença de atributos, personalidades diametralmente opostas.

De um lado, a agressividade de uma neófita em disputas eleitorais que também debutava em confrontos televisivos diretos. "Exaltada, (Dilma) demonstrou nervosismo", resumiu a Folha de S. Paulo.

Do outro, a serenidade de quem tem propostas claras para o país, a segurança quanto ao que oferece aos brasileiros, a tranquilidade de quem está preparado para conduzir a nação a um patamar mais elevado.

José Serra pautou sua participação no debate da Band na diferenciação entre o projeto que defende e o que o PT propugna.

Dilma Rousseff destilou um rosário de mistificações nas duas horas de confronto. Brandiu obras que não realizou, imputou ao tucano medidas que ele nunca tomou, envolveu em falácias acusações totalmente infundadas.

Aconteceu, por exemplo, quando disse que Serra planeja privatizar a Petrobras, algo que jamais frequentou o receituário do tucano.

A petista escalou os mais altos degraus da invencionice quando "acusou" as privatizações feitas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, demonizando-as.

Não era a intenção dela, mas Dilma deixou claro o quanto o seu partido, o PT, se opôs a medidas que trouxeram conforto e emprego aos brasileiros: cada um que tem um telefone celular hoje, e são praticamente todos os brasileiros em idade adulta, sabe dos efeitos benéficos da abertura da telefonia, antes privilégio de pouquíssimos, para suas vidas.

Dilma assacou o vodu do medo ao dizer que Serra não dará continuidade a projetos, segundo ela, "exitosos" do atual governo, como o PAC e o Minha Casa Minha Vida.

Os fatos a desmentem, com sobra.

O PAC está longe de deixar de ser uma lista de boas intenções que, em sua imensa maioria, dormitam no papel. O programa habitacional é apenas uma pálida sombra daquilo que a promessa lulista acenou aos incautos.

(...)

Aos fatos, Dilma respondeu com arreganhos.

Tergiversou, para ficar num termo tão (mal) usado por ela ao longo do debate.

Coube ao próprio Serra a melhor definição para o comportamento da adversária na noite deste domingo:

"A Dilma foi a Dilma".

O desempenho da candidata do PT foi tão desastroso que, minutos depois do encerramento do encontro promovido pela Band, o comando da campanha dela anunciou que Dilma não irá mais a boa parte dos debates para os quais foi convidada.

Alega-se "problema de agenda".

Quem viu o confronto de ontem sabe que não é isso.

O que de fato ocorreu é que caiu a máscara de Dilma: a "mãe dos pobres" mostra-se agora como uma madrasta má, que não titubeia em apelar para mentiras para se fazer prevalecer.

A luz dos holofotes fez a maquiagem derreter - e o que revelou não é nada bonito de se ver.

Fonte/Original Íntegra : ITV/Caiu a máscara

O BRASIL DO PT QUE NÃO SE VÊ NOS PROGRAMAS DE TV : MEC GASTA R$ 2 BILHÕES E NÃO ALFABETIZA.

Foto: nayannesantana.blogspot.com

Em seu oitavo ano, o programa Brasil Alfabetizado já gastou R$ 2 bilhões, mas teve impacto pequeno na redução do analfabetismo, mas índice de iletrados caiu menos de 2%.

O índice de iletrados, na faixa de 15 anos ou mais, só caiu de 11,6%, em 2003, para 9,7%, em 2009.

O faxineiro Edvaldo Félix Bezerra limpa banheiros no setor de transporte e garagem da Câmara dos Deputados.

Entra às 7h e começa o dia sujando o polegar de tinta.
Aos 53 anos, Edvaldo é analfabeto e preenche a folha de ponto com a impressão digital.

Principal meta do Ministério da Educação (MEC) no início do governo Lula, a erradicação do analfabetismo está longe de virar realidade.

O programa Brasil Alfabetizado já gastou R$ 2 bilhões, em valores atualizados, e matriculou milhões de jovens e adultos.

Mas o índice de iletrados, na faixa de 15 anos ou mais, caiu menos de dois pontos percentuais: de 11,6%, em 2003, para 9,7%, em 2009, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.

O número absoluto de analfabetos está na casa de 14 milhões desde 2006, segundo a Pnad.
No ano passado, eram 14,1 milhões.


Até o fim de 2010, o Brasil Alfabetizado deverá atingir a marca de 14 milhões de matrículas, considerando-se a quantidade de alunos atendidos a cada ano.

Coincidentemente, o total de vagas oferecidas pelo Brasil Alfabetizado (14 milhões) está perto de igualar o número absoluto de iletrados.

Os dados da Pnad sugerem, porém, que a iniciativa não surtiu o efeito desejado.

Teste para aferir aprendizado só foi criado em 2009.
Outro problema é que o MEC desconhece a eficácia do Brasil Alfabetizado.

No ano passado, ao renovar as parcerias, o MEC cobrou informações sobre o desempenho das turmas de 2007, quando ainda não havia um teste padronizado.

De 1,3 milhão de alunos supostamente atendidos naquele ano, pelo menos 927 mil teriam concluído o curso e 666 mil teriam sido alfabetizados, segundo as informações que chegaram ao MEC.

Como nem todos os parceiros continuaram no programa, os resultados desses alunos não foram enviados.

O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, André Lázaro, diz que a evasão no Brasil Alfabetizado gira em torno de 30%.

Embora a Pnad informe que a idade média do analfabeto brasileiro era de 54 anos, o país tinha 5,4 milhões de iletrados com menos de 50 anos, em 2009.

A maioria vivendo em áreas urbanas:

3,2 milhões nas cidades e 1,8 milhão no campo.

A pessoa que sabe ler conhece muita coisa e pode arrumar um serviço melhor diz Edvaldo, que recebe R$ 600 por mês, somando salário e benefícios.

Até no MEC há analfabetos.

Embora seja capaz de assinar o nome e, com algum esforço, ler até frases, Almir Alves Rodrigues, de 37 anos, está no limiar entre o analfabeto absoluto e o funcional, aquele que lê, mas não entende.

Almir é faxineiro terceirizado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), agência do MEC responsável pela pósgraduação.

Nascido no Distrito Federal, ele diz que terminou a 4ªsérie do ensino fundamental, mas largou a escola para ajudar a mãe, trabalhando como vendedor de balas e engraxate.

Sei ler muito pouco.
O mais difícil são aquelas letras enganchadas diz Almir.

O Brasil Alfabetizado não apareceu na propaganda eleitoral da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.

O motivo é simples: o programa, que já foi reformulado uma vez, ainda não consegue funcionar direito.

Até 2006, os convênios eram celebrados também com organizações não-governamentais.
O MEC acabou com a parceria com ONGs, passando a firmar convênios apenas com prefeituras e governos estaduais.

Um dos objetivos era atrair professores da rede pública para atuarem como alfabetizadores.

A meta era que, pelo menos 75% dos alfabetizadores fossem docentes.
Segundo André Lázaro, porém, o percentual de professores gira em torno de 15%.
Eles recebem R$ 250 por mês para dar quatro aulas por semana.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) foi ministro da Educação no primeiro ano do governo Lula e lançou o Brasil Alfabetizado.

Ele critica a mudança de prioridade no MEC.

No início de 2004, logo após a demissão de Cristovam, erradicar o analfabetismo deixou de ser meta do governo:
O nível de analfabetismo no Brasil é uma dívida que continua depois dos governos de Fernando Henrique, de Lula e de 25 anos de democracia.

Uma vergonha nacional diz.

Demétrio Weber/Globo

PARA QUÊ? PRESERVAÇÃO DO SISTEMA PLURAL DEMOCRÁTICO OU PROJETO DE PODER ?

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No mês de agosto, precisamente no Dia do Soldado, o governo alterou as condições de cumprimento da missão constitucional das Forças Armadas, modificando-a na sua essência.

Com a inserção de um político na cadeia de comando e a subordinação do emprego das forças a um oficial-general escolhido segundo critérios políticos, estão dadas as condições para o governo usar interna ou externamente os meios militares segundo a hipótese que bem lhe aprouver.

Assim, o aparato institucional das Forças Armadas passou a ficar legalmente sujeito a uma vontade política única centralizada na chefia do Executivo.

Logo depois da Segunda Guerra, os políticos brasileiros souberam usar para seus fins o prestígio das Forças Armadas.

Em meio à instabilidade política reinante, um jovem general proferiu em 1957 uma palestra em que concluía: Forças Armadas, para quê?

Profissional de carreira arraigadamente legalista, oficial de operações da Divisão de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira, culto historiador militar, um ouvinte atento de Fernand Braudel, Castello Branco, como chefe do Estado-Maior, reiteraria no início dos anos 60 o alerta sobre a transformação do Exército em milícia.

Anos depois, como presidente num regime que ele via comprometido com a autoextinção, Castello Branco tomou medidas para afastar as Forças Armadas da política partidária, reforçando o papel dos altos comandos e limitando o tempo de serviço dos oficiais-generais com autoridade de comando.

Isso era coerente com a visão de uma revolução para acabar com todas as revoluções.

Ingênuo ou não, foi esse ideal que viabilizou um novo regime, de normalidade democrática, sem golpe de Estado, algo inédito na história da República.
Dividem-se hoje os analistas entre os que veem nos acontecimentos no Brasil um risco ao sistema democrático e os que enxergam apenas mais um capítulo da luta pelo poder.

Como ambos têm parte da razão, mais útil seria que os atores da cena política assumissem suas posições diante da velha dicotomia que nos assola há décadas: a preservação do sistema democrático plural ou a sua supressão em benefício de um projeto de poder.

Pela prática política em curso e manifestações dos dois candidatos à Presidência, anunciase a extinção do regime fundado em 1985/1988, do que estranhamente participam os próprios herdeiros da vontade política que o instituiu no caso o PMDB das lideranças históricas hoje desaparecidas.

Por mais que detestassem (ou detestem) os militares, elas tiveram (e têm) que lidar com a equação militar, porque não há como alijá-la do poder.

Se não o fizerem, alguém o fará (e já o fez).

A História não se repete, mas deixa lições.

O controle político ilimitado das Forças Armadas permite que um Rumsfeld emita ordens de mobilização e deslocamento a unidades militares para uma guerra a ser precipitada segundo as conveniências do poder e demita preventivamente quem dele discordar por dever funcional.

Da caixa de horrores da ascensão nazista nos anos 30 na Alemanha, pode-se tirar a vergonhosa omissão dos seus generais diante do assassinato de políticos e de alguns de seus próprios companheiros, que levou à supressão de toda e qualquer oposição.

Cada um deplore a tragédia que preferir, mas tratemos de evitar a nossa.

Diante de tantas mudanças, assumidas ou não, é sempre atual e prudente perguntar: para quê?

Estão dadas as condições para o governo usar os meios militares como lhe aprouver

Sérgio Paulo Muniz da Costa/O Globo

É historiador e foi delegado do Brasil na Junta Interamericana de Defesa, órgão de assessoria da OEA para assuntos de segurança hemisférica

"COM A FACA NA BOCA". QUE COISA! OU SERIA, A "COISA", O NEGÓCIO , TROÇO... ?

Delcídio Amaral/PT no twitter :"A Dilma estava com a faca na boca"


Tomar a iniciativa e partir para o ataque num debate eleitoral não é para amadores, ensinou outra vez o duelo transmitido pela Band. Candidata de primeira viagem, espantosamente desarticulada, desprovida de raciocínio ágil, sem vestígios de carisma, Dilma Rousseff desencadeou a ofensiva já na primeira pergunta a José Serra.

Levou o troco mas foi em frente.

Nas duas horas seguintes, sempre na fronteira do chilique, a veia da pálpebra esquerda latejante de cólera, sobrancelhas em arco de normalista contrariada, tentou combater simultaneamente o português, a lógica e os fatos — além do adversário experiente e tranquilo.

Fracassou espetacularmente.

Abalroada por contragolpes sucessivos, levada às cordas por alusões ao bando de Erenice Guerra e ao descompromisso com a coerência, Dilma voltou a “comprimentarmeio mundo, evocou duas vezes uma mesa atulhada de árabes e judeus, conjugou a cada dois minutos o verbo tergiversar, embaralhou temas distintos ao perguntar ou responder, frequentemente não conseguiu dizer coisa com coisa, declarou-se indignada com o que até agora não passava de “factoide”, injuriou a mulher do oponente, fez tudo o que não devia.

Depois de 120 minutos de agressividade e grosserias, queixou-se do baixo nível da campanha. Dilma não aprendeu a atacar nem sabe defender-se. Nitidamente superior em todos os quesitos, nem por isso Serra foi brilhante. Pode melhorar muito.

Pode ser bem mais contundente.
A arrogância da oponente o autoriza a ser menos gentil.

Deve expor com crueza alguns itens do vasto prontuário.
Precisa entender que os brasileiros desinformados estão prontos para aprender que as privatizações modernizaram o país.
Mas o essencial é que começou a percorrer o caminho correto.

Aparentemente, Serra preferiu transformar o primeiro debate do segundo turno como laboratório para aperfeiçoar a estratégia e a tática que adotará nos próximos.

Além de confirmar que Dilma é a adversária que todo candidato pede a Deus, o confronto na Band mostrou que o eleitorado terá de escolher entre um administrador competente e uma gerente debutante.

Em pouco tempo estará consolidada a certeza de que disputam o segundo turno um político com currículo respeitável e uma novata que oculta a folha corrida.

Cumpre a Serra deixar claro que, entre os dois candidatos à Presidência da República, só um pode garantir que não vai desonrar o cargo.

Via : Augusto Nunes

outubro 10, 2010

DIÁLOGOS DE SURDOS ?



O presidente Lula, com uma arrogância por vezes excessiva, tentou transformar em plebiscito o primeiro turno desta eleição.

Como se o que estivesse em jogo fosse seu próprio terceiro mandato (ainda que por interposta pessoa), um referendo sobre seu nome, uma apoteose que consagraria seu personalismo, seu governo e sua capacidade de transferir votos.

Mas cerca de 52% dos eleitores votaram em José Serra e Marina Silva, negando a Lula a tão esperada vitória plebiscitária no domingo passado.

Não é de hoje o desejo presidencial:
"Lula quer uma campanha de comparação entre governos, um duelo com o tucano da vez. Se o PSDB quiser o mesmo... ganharão os eleitores e a cultura política do País."

Assim escreveu Tereza Cruvinel, sempre muito bem informada sobre assuntos da seara petista, em sua coluna de janeiro de 2006.

Não acredito que a "cultura política" do País e seus eleitores tenham muito a ganhar - ao contrário - com essa obsessão por concentrar o debate eleitoral de 2010 numa batalha de marqueteiros e militantes.

Afinal, na vida de qualquer país há processos que se desdobram no tempo, complexas interações de continuidade, mudança e consolidação de avanços alcançados.
O Brasil não é exceção a essa regra.


Como escreveu Marcos Lisboa, um dos mais brilhantes economistas de sua geração:
"Não se deve medir um governo ou uma gestão pelos resultados obtidos durante sua ocorrência e, sim, por seus impactos no longo prazo, pelos resultados que são verificados nos anos que se seguem ao seu término. Instituições importam e os impactos decorrentes da forma como são geridas ou alteradas se manifestam progressivamente..."

Ao que parece, Lula e o núcleo duro à sua volta discordam e estão resolvidos a insistir numa plebiscitária e maniqueísta "comparação com o governo anterior".

Feita por vezes, a meu ver, com desfaçatez e hipocrisia.

Um discurso primário que, no fundo, procura transmitir uma ideia básica (e equivocada) ao eleitor menos informado:
o que de bom está acontecendo no País - e há muita coisa - se deve a Lula e ao seu governo; o que há de mau ou por fazer - e há muita, muita coisa por fazer - representa uma herança do período pré-2003, que ainda não pôde ser resolvida porque, afinal de contas, apenas em oito anos de lulo-petismo não seria mesmo possível consertar todos os erros acumulados por "outros" governantes ao longo do período pré-2003.

Mas talvez seja possível, por meio do debate público informado, ter alguns limites para a desfaçatez e a mentira.

Exemplo desta última:
a sórdida, leviana e irresponsável acusação de que "o governo anterior" pretendia privatizar a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, entre outros.


Algo que nunca, jamais, esteve em séria consideração. Mas a mentira, milhares de vezes repetida, teve efeito eleitoral na disputa pelo segundo turno em 2006 - por falta de resposta política à altura:
antes, durante e depois.


Exemplos de desfaçatez:
o governo Lula não "recebeu o País com a inflação e o câmbio fugindo do controle", como já li, responsabilizando-se o governo anterior.

A inflação estava sob controle desde que o Real foi lançado no governo Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso na Fazenda, e se aumentou para 12,5% em 2002 foi porque o câmbio disparou, expressando receios quanto ao futuro.

Receios não sem fundamento, à luz da herança que o PT havia construído para si próprio, até o começo de sua gradual desconstrução, apenas a partir de meados de 2002.
O PT tinha e tem suas heranças.

O governo Lula não teve de resolver problemas graves de liquidez e solvência de parte do setor bancário brasileiro, público e privado.
Resolvidos na segunda metade dos anos 90 pelo governo FHC.


Ao contrário, o PT opôs-se, e veementemente, ao Proer e ao Proes e perseguiu seus responsáveis por anos no Congresso e na Justiça. Mas o governo Lula herdou um sistema financeiro sólido que não teve problemas na crise recente, como ajudou o País a rapidamente superá-la.

Suprema ironia ver, na televisão, Lula oferecer a "nossa tecnologia do Proer" ao companheiro Bush em 2008.

O governo Lula não teve de reestruturar as dívidas de 25 de nossos 27 Estados e de cerca de 180 municípios que estavam, muitos, pré-insolventes, incapazes de arcar com seus compromissos com a União.


Todos estão solventes há mais de 13 anos, uma herança que, juntamente com a Lei de Responsabilidade Fiscal, de maio de 2000 - antes, sim, do lulo-petismo, que a ela se opôs -, nada tem de maldita, muito pelo contrário, como sabem as pessoas de boa-fé.

As pessoas que têm memória e honestidade intelectual também sabem que as transferências diretas de renda à população mais pobre não começaram com Lula - que se manifestou contra elas em discurso feito já como presidente em abril de 2003.


O governo Lula abandonou sua ideia original de distribuir cupons de alimentação e adotou, consolidou e ampliou - mérito seu - os projetos já existentes.

O que Lula reconheceu no parágrafo de abertura (caput) da medida provisória que editou em setembro de 2003, consolidando os programas herdados do governo anterior.

Outros exemplos :

Sobre salário mínimo:

não é verdade que tenha começado a ter aumento real no governo Lula, como quer a propaganda.

Sobre privatização:

o discurso ideológico simplesmente ignora os resultados para o conjunto da população - e, indiretamente, para o atual governo. O monólogo do "nunca antes" não ajuda o diálogo do País consigo mesmo.

O ilustre ex-ministro Delfim Netto bem que tentou:
"A eleição de 2010 não pode se fazer em torno das pobres alternativas de ou voltar ao passado ou dar continuidade a Lula. A discussão precisa incorporar os horizontes do século 21 e a superação dos problemas que certamente restarão de seu governo."

Pedro S. Malan -
O Estado de S.PauloECONOMISTA, FOI MINISTRO DA FAZENDA NO GOVERNO FHC E-MAIL: MALAN@ESTADAO.COM.BR

A PETROBRAS E A POLITIZAÇÃO , COISAS DO ÉBRIO.


Depois da “maior capitalização da história”, a maior empresa do Brasil, a Petrobrás, perdeu R$ 28,4 bilhões de valor de mercado em apenas três dias, encolhendo 7,5% nesse período.

Na sexta-feira, suas ações ganharam algum impulso, depois de bater no nível mais baixo em um ano e meio. A onda de vendas foi apenas um “ajuste de carteira”, segundo seu presidente, José Sérgio Gabrielli.

“É normal as ações subirem e descerem”, ponderou o ministro da Fazenda e presidente do conselho da estatal, Guido Mantega. A empresa, acrescentou, está mais forte do que nunca e sua capitalização foi “reconhecida mundialmente como importante”.

Nenhuma das duas explicações é para ser levada a sério.

Oscilações dessa amplitude não são normais no dia a dia nem são meros ajustes de carteira. O problema da Petrobrás é o mesmo de antes da capitalização: uma perigosa subordinação aos interesses políticos de um governo centralizador e voluntarista.

Os investidores foram confrontados durante a semana com duas novidades importantes. Uma delas foi a avaliação negativa divulgada por seis bancos.

Diluição de lucros e perspectiva de baixo retorno foram os problemas apontados.

A outra foi o rumor sobre irregularidades na administração da empresa.

Este segundo fator seria muito menos importante, se o mercado reconhecesse a gestão da Petrobrás como essencialmente profissional e voltada para objetivos empresariais.

Mas esse não é o caso.

Há meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou publicamente haver mandado a estatal investir em refinarias no Nordeste. Esses investimentos, segundo ele, não teriam ocorrido, se a decisão dependesse da avaliação dos diretores da companhia.

Nos últimos dias, o presidente da República voltou a alardear sua intervenção.

A Petrobrás, disse ele na quinta-feira, deixou de ser uma caixa-preta e converteu-se numa caixa branca, ou quase, durante seu governo.

Ele teria apontado um fato positivo, se mencionasse apenas o aumento da transparência - discutível, na verdade. Mas foi além disso e se vangloriou, mais uma vez, de mandar na empresa: “A gente sabe o que acontece lá dentro e a gente decide muitas das coisas que ela vai fazer.”

“A gente decide” é mais que uma expressão singela.

É uma confirmação - mais uma - do estilo centralizador e voluntarista do presidente da República. Não só de um estilo, mas de uma mentalidade.

Ele age e fala como se as diretorias das estatais fossem apenas extensões de seu gabinete e não tivessem compromissos com milhões de acionistas.

“A gente sabe” e “a gente decide”.

Ele, de fato, foi além disso. Tentou interferir também na gestão de grandes empresas privatizadas, como a Embraer e a Vale, como se coubesse ao presidente da República orientar as políticas de pessoal e de investimentos dessas companhias.

Esse jogo de interferências não tem sido apenas econômico e administrativo. O envolvimento do presidente da República tem sido sobretudo político e, muitas vezes, político-eleitoral.

A Petrobrás também está no segundo turno”, disse Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, ao comentar a inauguração antecipada, na quinta-feira, da Plataforma P-57.

Antes da votação de domingo, o evento estava previsto para dezembro.

Também a capitalização da Petrobrás foi politizada, o que complicou o processo. O leilão ocorreu quase no fim do prazo previsto, porque o governo foi incapaz de cuidar do problema com critérios essencialmente econômicos e administrativos.

Sua insistência em ampliar a participação do Estado na Petrobrás dificultou a fixação do preço dos 5 bilhões de barris cedidos à empresa pela União.

O preço médio foi estabelecido, afinal, por um processo nunca explicado de forma satisfatória, até porque não passa de suposição o volume das jazidas envolvidas no negócio.

A confusão e a insegurança criadas por esse processo politizado afetaram duramente o mercado. O valor da Petrobrás encolheu cerca de 30%, enquanto a empresa, o governo e a Agência Nacional do Petróleo se enrolavam nas dificuldades políticas da capitalização.

A empresa continua sob os efeitos de uma gestão politizada e, por isso, vulnerável a rumores e escândalos.

O mercado refletiu, nos últimos dias, essa vulnerabilidade.

Editorial do Estadão

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